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terça-feira, 18 de março de 2014

SOBRE MIMOS E CAFÉS DA MANHÃ



Depois de um mês fora, a mama voltou pro seu lar ontem. Ela fez uma pequena cirurgia e, por isso, ficou entre a casa dos filhos e da irmã onde teria mais cuidados e companhia. 

Para ela não chegar com a casa vazia, a Alice ficou de dormir por lá na noite passada. 

Como praxe, toda terça-feira, a Alice vem pra minha casa trazendo pão para o nosso café da manhã. E assim, tomamos café juntas e falamos um pouco da vida antes de cada uma pegar no batente. Hoje não seria diferente, até que ela “se achando”, soltou: 

- Trouxe pão, mas já vim alimentada. Meu café da manhã hoje teve suco de laranja, iogurte com granola, mamão e queijo branco. 

Invejei. Pois a coisa que mais sinto falta de quando eu morava na casa da mama é justamente do seu café da manhã. Ela servia o café com leite na xícara, o pão fresquinho comprado na padaria logo cedo já cortado com requeijão, o suco de laranja no copo e o melão cortadinho. Era só “mandar pra dentro”! Certeza que essa delicadeza ela herdou do meu avô, pai dela, que preparou o café da manhã da minha avó durante os 55 anos de casados, acordando os filhos e netos (quando dormiam na casa deles), ainda na cama, com um copo de vitamina ou de suco de laranja. 

Triste é saber que não herdei nada disso, apenas a vontade de ser mimada assim pra sempre.

segunda-feira, 17 de março de 2014

COMO NOSSOS PAIS


Final de semana com a mama. No pouco tempo em que conseguimos ficar sozinhas, falamos sobre a vida, os anseios, os medos, os apuros, os planos. E meus quereres - cada dia menos convencionais e por vezes conflituosos e impublicáveis - encontraram entendimento, delicadeza, colo e cafuné. Minha velhinha, aos 76 anos (exatamente o dobro da minha idade), em meio à contação de seus causos, me mostrou que somos mais parecidas do que eu jamais poderia suspeitar. E isso hoje é libertador! FIM. 


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

MEUS 50 FILMES

Tarefa difícil. Mas consegui listar meus 50 filmes preferidos (em ordem alfabética). Critério? Aqueles que me fizeram sorrir, chorar, pensar, despertar. Adoro listas. Principalmente porque não são estáticas. Mudam conforme o vento, o tempo, o sentimento. A de hoje é essa. 



  1. A Caminho de Kandahar, de Mohsen Makhmalbaf (Irã, 2001)
  2. A Cor do Paraíso, de Majid Majidi (Irã, 1999)
  3. A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra (Estados Unidos, 1946)
  4. A Inglesa e o Duque, de Éric Rohmer (França, 2001)
  5. A Língua das Mariposas,  de José Luis Cuerda (Espanha, 1999)
  6. As Invasões Bárbaras, de Denys Arcand (Canadá, França, 2003)
  7. Adeus Lênin, de Wolfgang Becker (Alemanha, 2003)
  8. Apenas o Fim, Matheus Souza (Brasil, 2008)
  9. Banquete de Casamento, Ang Lee (Estados Unidos, Taiwan, 1993)
  10. Barry Lyndon, do Stanley Kubrick (Inglaterra, 1975)
  11. Casablanca, de Michael Curtiz (Estados Unidos, 1942)
  12. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles (Brasil, 2002)
  13. Comer, Beber, Viver, Ang Lee (Estados Unidos, Taiwan, 1994)
  14. Dersu Uzala, Akira Kurosawa (Russia, Japão, 1975)
  15. Dolls, de Takeshi Kitano (Japão, 2002)
  16. Elsa & Fred, Um Amor de Paixão, Marcos Carnevale (Espanha, Argentina, 2006
  17. Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola (EUA, 2003)
  18. Feminices, de Domingos de Oliveira (Brasil, 2004)
  19. Festa de Família, de Thomas Vinterberg (Dinamarca, 1997)
  20. Habemus Papam, de Nanni Moretti (Itália, 2011)
  21. Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho (Brasil, 2001)
  22. Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho (Brasil, 2007)
  23. Jules e Jim, Uma Mulher para Dois, do François Truffaut (França, 1962)
  24. Kamchatka, de Marcelo Piñeyro (Argentina, 2002)
  25. Lugares Comuns, de Adolfo Aristarain (Argentina, 2003)
  26. Mar Adentro, de Alejandro Amenábar (Espanha/Itália/França, 2004)
  27. Match Point - Ponto Final, de Woody Allen (Luxemburgo, Estados Unidos, Inglaterra, 2005)
  28. Meia Noite em Paris, de Woody Allen (Espanha, 2011)
  29. Moça com Brinco de Pérola, de Peter Webber (Inglaterra/Luxemburgo, 2003)
  30. Narradores de Javé, de Eliane Caffé (Brasil, 2003)
  31. Ninguém Pode Saber, de Hirokazu Kore-eda (Japão, 2004)
  32. Nome Próprio, Murilo Salles (Brasil, 2007)
  33. Nova York, eu te amo, diversos diretores (EUA, 2008)
  34. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger (Brasil, 2006)
  35. O Desprezo, Jean-Luc Godard (França, Italia, 1963)
  36. O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, de Jean Pierre Jeunet (França, 2001)
  37. O Grande Chefe, de Lars von Trier (Dinamarca/ Suécia/Islândia/Itália/França/Noruega/Finlândia/ Alemanha, 2006)
  38. O Quarto do Filho, de Nanni Moretti (Itália, 2001)
  39. Paris visto por, Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jean Rouch, Jean Douchet, Jean-Luc Godard, Jean-Daniel Polle (França, 1965)
  40. Paradise Now, de Hany Abu-Assad (França/Alemanha/Holanda/Israel, 2005)
  41. Promessas de um Novo Mundo, de Justine Shapiro, Carlos Bolado e B. Z. Goldberg (EUA, 2001)
  42. Querida Wendy, de Thomas Vintenberg, (Dinamarca/Alemanha/Inglaterra/França, 2004)
  43. Ser e Ter, de Nicholas Philibert (França, 2002)
  44. Sobre Café e Cigarros, de Jim Jarmusch (EUA, 2003)
  45. Terra de Ninguém, de Danis Tanovic (Eslovênia/França/Itália/Inglaterra, 2001)
  46. Uma Mulher é Uma Mulher, de Jean-Luc Godard (França, Itália, 1961)
  47. Um Beijo Roubado, de Wong Kar Way ((Hong Kong / China / França, 2007)
  48. Um Filme Falado, do Manoel de Oliveira (Itália, França, Portugal, 2003)
  49. Vermelho como o Céu, de Cristiano Bortone (Itália, 2006)
  50. Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen (Estados Unidos, 2008)
Acrescentei mais três filmes, na incapacidade de fazer a devida substituição:

  51. A Excêntrica Família de Antonia, de Marleen Gorris (Holanda, Reino Unido e Bélgica, 1995)
  52. Boleiros - Era Uma Vez o Futebol, de Ugo Giorgetti (Brasil, 1998)
  53. Edifício Master, de Eduardo Coutinho (Brasil, 2002)

sexta-feira, 15 de março de 2013

CORRA, VANESSA, CORRA!


 
No final do último 8 de março, Dia da Mulher, reparei que não recebi nenhum "parabéns" do gênero masculino. Foi quando veio a lembrança de uma rosa com um cartão que recebi, há cerca de 13-15 anos, via portador, de um advogado (na época, eu era funcionária do Tribunal de Justiça), que eu admirava. Charmoso, elegante, discreto, educado. Concluí: Que pena! Nunca mais vou encontrá-lo na vida! 
 
Hoje, saí da instituição que leciono uma hora mais tarde que o habitual. Esbaforida, entrei no vagão do metrô e me direcionei a uma ponta "nunca dantes" explorada... Lá estava ele, na minha frente. Não pensei, não hesitei, o toquei. O chamei por seu nome completo (enorme, de príncipe), quando ele me olhou com cara de interrogação, seguida de surpresa e contentamento. Amarramos uma boa conversa. Falamos da vida, do Direito, do Turismo, do trabalho, das viagens... Tentei driblar o encantamento, não consegui disfarçar o sorriso. Ele se disse impressionado com a minha memória. Trocamos cartões.
 
Nunca o metrô de São Paulo foi tão rápido e aprazível. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PRESENTE

Assim que eu postei o texto ENTREGUE(S), o Niro Nash apareceu com esta lindeza de imagem. Impossível não compartilhar! :) 


ENTREGUE(S)



Se não fosse a fala mansa, o beijo quente e o par de olhos azuis no decote dela, certeza que ela o teria evitado.

Teria nada. Desde a primeira vez que ela o ouviu, sentiu vontade de prová-lo. Tanto tempo depois, aquela altura, já o imaginava no sofá, na parede, na cama, no chuveiro, na vida dela. Por pouco tempo, é verdade, porque as relações são perecíveis e a deles já começava assim, datada. Acontece que, de tão molhada, o prazo de validade ficou ilegível e ela se perdeu, sem saber a hora de acabar. Lamentava a falta de um manual com dicas sobre a hora de romper. Romper no momento certo, uma arte, que poucas vezes dominara. E seguia assim, entregue.

O primeiro encontro foi de expectativa, curiosidade, excitação. Saíram pra jantar e, na volta, com a desculpa de um drink saideira, ela bebeu ele. E se embriagou. Acordou de ressaca, mas daquela que só passa com mais uma dose. Repetiram, de imediato, com sede de anteontem. E seguiam assim, entregues.

Não faziam planos, maiores combinações, não existia hora certa. Ele podia acordá-la, tal qual uma gata de armazém, em uma manhã de terça-feira, ou aparecer de bermuda e chinelo, em uma sexta, pra ver o pôr do sol da cama dela.

Ela se sentia mais linda ao lado dele. E ele mais jovem ao lado dela. A cruz nas costas, os cochilos suados, a cumplicidade criada, o ciúme discreto, a saudade apertada. Imprevisível, "gostosudo", arrebatador. Romance com gosto. De bomba de chocolate.


(dos escritos perdidos, de um dos meus caderninhos)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

PRAIA CANSA

Metade Bahia, metade Ceará. Férias, julho 2011.


"Tchau, Fortaleza bonita! Tchau, jegue! Tchau, dunas! Tchau, areias coloridas!"

Foi assim que algumas crianças se despediram das férias no momento do avião decolar. Rindo, certifiquei que há mais crianças nos voos durante o recesso escolar que nos buffets infantis.

Não é fácil retomar a vida depois de 15 dias no Nordeste. O bronzeado some em horas, as olheiras reaparecem e trocar as havaianas pelos sapatos é tarefa árdua. Bate aquela depressão! É como se o corpo chegasse primeiro. Letargia. Depressão pós férias.

Dessa vez comecei na Bahia e terminei no Ceará. Brinquei bastante de ser rica e agora volto para o tronco.

Tchau, lagostas! Tchau, Moet & Chandon! Tchau, sol com brisa! Tchau, piscina de frente pro mar!

Não assisti TV. Li e dormi menos do que eu gostaria, mas comi e bebi mais do que eu deveria. Ao menos consegui evitar o e-mail do trabalho.

Praia cansa. É sério! Um dia de areia, mar e sol e vou pra cama cedo. Prefiro isso às noitadas. Porque férias na praia, pra mim, é de dia. E poucas coisas me fazem mais feliz que o entardecer na praia. É quando o meu lado atéia olha para o céu alaranjado e diz: Obrigada, Senhor! --> gesto que copio do meu querido amigo Dodô!

Dormir com o barulho do mar é mesmo um privilégio. E acordar com a certeza de um lindo dia de sol é outro maior ainda.

Agrada-me também a possibilidade de "não fazer nada". Pois bem, conseguir algumas horinhas pra fazer nadica de nada, pra mim, é muita coisa!

Na Bahia, na primeira semana, eu e a minha pequena sobrinha empinamos pipa, pulamos onda, brincamos de castelo na areia, vimos tartarugas e macaquinhos, desenhamos, fizemos diário de viagem e lemos histórias na hora de dormir. No Ceará, na segunda semana, matei a saudade das primas, ouvimos 500 mil vezes o cd novo do Chico, conversamos, brindamos e comemos horrores… Encontrei velhos amigos, fiz novos, comprei pequenos mimos e aproveitei um tempo sozinha para caminhar na praia e fotografar.

Agora, sem dúvida, o maior indicador de que estava tudo muito bom foi não ter sentido saudade de casa. Talvez não tenha dado tempo, é verdade. Mas o fato é que eu voltei porque tinha que voltar. Trabalhar, pagar as contas, tocar a vida. Pois é, ser adulto cansa! E cansa muito mais que praia!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O MUNDO MÁGICO DE CARTAGENA

Cartagena das Índias, Vanessa Dantas, 2011


Foi lendo "O Amor nos Tempos do Cólera", no ano de 2007, que o Gabriel García Márquez colocou Cartagena das Índias nos meus planos de viagem. Vale dizer que nunca tive o sonho de rodar o mundo, são poucos os lugares que eu realmente quero conhecer e tenho a mania (sim, estou virando uma velha cheia delas!) de voltar sempre aos lugares que gosto muito. Ok. Vai ver que é por isso que eu ainda não fui à Paris.

E então o meu aniversário desse ano estava chegando (30/4) e a vontade de comemorá-lo num lugar novo se fez presente. Poucas milhas (12 mil - ida e volta pela Gol), o fato de uma grande amiga morar (temporariamente) em Bogotá e a grata coincidência de que a namorada do meu mano estaria por lá na mesma data, fez de Cartagena uma janela, ops, uma varanda de oportunidades.

Lá fui eu!

Não vou contar todos os detalhes porque ninguém merece uma coisa dessa, mas já que muitos amigos/conhecidos perguntaram sobre a viagem, resolvi listar algumas impressões/dicas sobre o "mundo mágico” de Cartagena.

O Mundo Mágico"
O centro antigo de Cartagena – onde fiquei hospedada – é cercado por uma muralha, de 8 km, do século XVI. Desde a primeira vez que atravessei a tal muralha, tive a sensação de adentrar um "mundo mágico". Aquela cidade colonial, protegida e colorida, completamente diferente da Cartagena de fora da muralha, me abraçou, me acolheu e fez os meus olhos brilharem e se emocionarem uma porção de vezes.

Dentro da muralha, são cerca de 40 quarteirões com museus, centro culturais, igrejas, praças e casarões de todas as cores.

A primeira e mais importante dica
Hospede-se no centro antigo (informação preciosa dada pelo querido Marcelo Moutinho que tinha acabado de voltar de lá). Pode ser um pouco mais caro, mas para "viver" de fato a cidade, deve-se dormir e acordar dentro da muralha.

Fiquei no hotel Sol de La India. Tanto o quarto duplo quanto o quarto single custa, na baixa temporada, cerca de R$ 100 a diária, sem café da manhã.

Se você é uma pessoa mais abonada (bem mais!), a dica é o Hotel Santa Clara. Simplesmente deslumbrante. Quem sabe na minha próxima ida? Pois é, quando gosto muito de um lugar, tenho a mania de voltar, lembra?

Praias
Dentre os passeios de lancha (média de R$ 50/pessoa), fuja do Aquário que fica no arquipélago de Rosário. Siga direto à Playa Blanca (onde passei o belíssimo dia de sol do meu aniversário). Lá você encontrará o mar azul do Caribe, porém, com péssima infraestrutura. O passeio sai por volta das 8h/9h e retorna entre 16h e 17h.

Na praia, são muitos os vendedores de artesanato, pedras e tranqueiradas. Cansa um bocado ter que passar o dia dizendo não. Fuja também das massagistas que já chegam tocando, pegando, o que é bem chato. Uma cara de "poucos amigos" resolve.

Uma opção para quem gosta de uma melhor infraestrutura é passar o dia no El Laguito. Um táxi do centro antigo até lá não sai por mais de R$ 6. Vale ficar no restaurante de frente para o mar (na parte de cima é ainda melhor), com espreguiçadeira, balde com cervejas geladas, mojitos, frutos do mar, ceviches e todos os salamaleques por um preço bem camarada. A praia não é tão linda quanto as mais afastadas, mas dá pra passar um dia bem gostoso com direito a um belo pôr do sol no final. E pra quem gosta, ainda dá pra curtir wind e kitesurf.

Comilança
O La Vitrola é considerado o melhor (e mais caro) restaurante da cidade. Como é preciso fazer reserva com antecedência, não conseguimos conhecê-lo na noite do meu aniversário, e então acabamos indo no dia seguinte. Além da comida divina, há um grupo de músicos no estilo Buena Vista Social Club que fica cantarolando durante o jantar (é claro que chorei disfarçadamente com "Yolanda"). A conta, com bebida (sem muito excesso), deve ficar em torno de R$ 150/pessoa. Digo "deve" porque nesse dia fomos com um grupo de novos amigos que não nos deixaram pagar nada. Oba!

Passei o meu aniversário no restaurante El Santíssimo. Contemporâneo, irretocável. Na data, oferecia um "combo" que consistia em entrada, prato principal, sobremesa e bebida à vontade (isso mesmo! era só escolher - ficamos no espumante!) por cerca de R$ 90/pessoa (incluído imposto e serviço). 

A Casa Del Socorro, segundo consta, é um restaurante típico. Não conheci porque não deu tempo. No dia reservado acabei jantando no Quebracho, perfeito para a minha pessoa que, depois de muitos "bichos" do mar, estava sedenta por um bom bifão.

Transporte
O voo de Bogotá para Cartagena dura pouco mais de 1 hora. Não é aconselhável fazer o trajeto de carro ou ônibus. Segundo consta, as estradas são bem perigosas. Os bilhetes de ida e volta com as taxas (mais caras que os próprios trechos) custaram cerca de R$ 400 pela Copa Airlines.

Táxi é muito barato. Do aeroporto para a cidade antiga não custa mais do que R$ 20. Qualquer deslocamento entre a cidade antiga e a parte externa não passa de R$ 8. A maioria dos carros não possui taxímetro, de modo que o preço deve ser combinado antes com o taxista. Dentro da muralha é possível fazer tudo a pé.

Clichês
Resisti o quanto pude ao "romântico" e/ou "nostálgico" passeio de coche (carruagem), afinal, seria clichê demais para uma estudiosa do Turismo. Porém, na última noite, arrisquei. Foi perfeito! Recomendo muito.

Outro clichê imprescindível é apreciar o entardecer no Café Del Mar. Os drinks, a brisa e a gringolândia em peso transformam o visual de cima da muralha bastante convidativo.

Outros atrativos menos atrativos
Existem algumas opções de atrativos fora da muralha que fazem parte, digamos, do circuito oficial. Como sou um pouco preguiçosa para os pontos demasiadamente turísticos, optei por conhecer apenas o Convento de La Popa (de 1607) que está localizado na parte mais alta da cidade e que, segundo o ditado local, "Si no has subido a La Popa no has visto a Cartagena", e o Castillo de San Felipe de Barajas que é considerado a maior obra de engenharia militar espanhola na América, originalmente construída em 1563 com modificações e ampliações em 1657.

Vale combinar com um taxista para levar aos atrativos e ficar esperando.

O Gabo
É assim que o Gabriel García Márquez é chamado por lá. Gabo é Cartagena, Cartagena é Gabo. Assim mesmo, tudo uma coisa só. Ele mesmo já disse "Todos os meus livros têm fios soltos de Cartagena neles". Só não reconhece quem não leu.

Portal de los Dulces está logo na entrada do centro antigo de Cartagena e foi descrito em "Amor nos Tempos do Cólera" como o Portal de los Escribanos, onde Florentino Ariza susurrou para Fermina Daza "Esse não é um bom lugar para uma deusa coroada". Lá estão inúmeras barraquinhas coloridamente açucaradas.

A Plaza Fernández de Madrid serviu de inspiração para a Plaza de los Evangelios, onde Florentino, sentado num banquinho, fingia ler, na esperança de ver Fermina passar. A casa dela, um sobrado branco avarandado, está lá.

A casa terracota do Gabo fica próxima à muralha, num cantinho do "mundo mágico", e faz parte do roteiro do passeio de coche.

Otras cositas mas
- Recomendo passar o dia fora da muralha, conhecendo os pontos turísticos externos e praias e deixar o final de tarde e noite, quando o clima está mais ameno, para se perder pelas ruas do centro antigo.

- As principais jazidas de esmeralda do mundo são colombianas. Porém, apesar da grande oferta de ouro e prata com a linda pedra verde, vale deixar para comprar as belezuras em Bogotá onde o preço é mais convidativo.

- Peça nota fiscal de tudo, tudim que você comprar na Colômbia com cartão de crédito. O imposto de boa parte das suas compras (artesanato, roupa, perfumaria e etc.) pode ser ressarcido. Basta solicitar um formulário no aeroporto, preenchê-lo, anexar as notas e aguardar. Em até 90 dias o crédito é lançado na fatura do cartão de crédito. --> isso não funcionou, mas também não fui atrás :-(

- Se a água do banho de SP fosse a mesma de Cartagena, haveria uma queda brusca nas chapinhas e escovas progressivas. Acontece que o cabelo fica incrivelmente liso. Lindo! Lindo!

- Eita povinho que gosta de buzinar! Tanto em Cartagena quanto em Bogotá.

- O povo é bastante alegre e hospitaleiro. E até onde pude perceber, eles gostam um bocado dos brasileiros e mais ainda “das brasileiras”.

- Roupas de calor para Cartagena (o clima é quente e úmido) e meia estação/frio para Bogotá (dizem que chove um bocado por lá, eu dei sorte nos meus três dias de estadia!).

Foram apenas quatro dias (mágicos!) em Cartagena, em ótima companhia. Intensos, muito bem vividos, e com aquela vontadinha de ficar mais. Recomendo vivamente! 

Pois é. Lembra da tal mania? Então...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

NÃO MAIS

*
Não consigo mais escrever. Aqui não. Aqui não consigo mais. Respondo e-mail, escrevo carta, devolvo a provocação. Aceito encomenda, vendo palavras, compartilho conteúdos, endosso opiniões. Me limito aos 140 caracteres. Não consigo mais escrever. Porque preciso da dor. Ou preciso do amor. Rimar dor com amor? "Pelamor". Aqui não. Falta o suor, o arrepio. A nuca, a retina. O alimento, senão... Aqui não consigo mais.
*
*

quinta-feira, 24 de junho de 2010

É O QUE TEM PRA HOJE!

Passarela qualquer da cidade-concreto, numa manhã cinzenta, ainda com lua
Foto de celular: Vanessa Dantas, 2009

Tenho acordado cedo, dormido tarde, comido doce, pulado cinema.
Tenho falado menos, observado mais.

Tolerância curta, cansaço longo.
Tenho trabalhado muito.
*
O mundo é burro, e vivo nele.
Chega de festa. Mesa pra quatro. Tenho bebido pouco.
Tenho gostado dos cães. Dos que não latem e não mordem.
Nada acontece. Não trago novidade.
A vida anda besta. Chatinha.
*

Não sofro mais por ele. E sofro por isso.
Continuo sem gostar de pão-de-mel, doce de abóbora,

"creque" da cebola, fumaça de cigarro. In-tra-gá-vel.
Não uso amarelo, esmalte danoninho, pouco gosto de marrom.

Chocolate? Só se for do bom.
*
Queria não ter pêlo. Que meu cabelo não ficasse branco.
Não faço mais dieta. Gosto de ser míope.
Vivo otimamente bem sem paçoquinha, pipoca, canjica,

salto alto, bico fino e karaokê.
*
Não me venha com picaretagem.

“Minha querida”. “Se cuida”. "Deus lhe pague”.
Meu sono continua leve. Tenho dificuldade com quem ronca.

Prefiro a noite fria.
*

Chegue devagar, não peça pra entrar. Não minta pra mim.
Que se explodam os arrogantes, os mal educados, o Rogério Ceni.

Da torcida do São Paulo? Salvaria um. Apenas.
*
Gente que fala demais me incomoda.
Comportamento classe média também. Sou classe média.
Não quero conhecer o mundo. Sonho com Paris. E basta.
Perdi o medo da morte, desde que seja de avião. Na volta.
*
Não me subestime. Se conseguir, me estime. Eu deixo.
E gosto.