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terça-feira, 18 de março de 2014

SOBRE MIMOS E CAFÉS DA MANHÃ



Depois de um mês fora, a mama voltou pro seu lar ontem. Ela fez uma pequena cirurgia e, por isso, ficou entre a casa dos filhos e da irmã onde teria mais cuidados e companhia. 

Para ela não chegar com a casa vazia, a Alice ficou de dormir por lá na noite passada. 

Como praxe, toda terça-feira, a Alice vem pra minha casa trazendo pão para o nosso café da manhã. E assim, tomamos café juntas e falamos um pouco da vida antes de cada uma pegar no batente. Hoje não seria diferente, até que ela “se achando”, soltou: 

- Trouxe pão, mas já vim alimentada. Meu café da manhã hoje teve suco de laranja, iogurte com granola, mamão e queijo branco. 

Invejei. Pois a coisa que mais sinto falta de quando eu morava na casa da mama é justamente do seu café da manhã. Ela servia o café com leite na xícara, o pão fresquinho comprado na padaria logo cedo já cortado com requeijão, o suco de laranja no copo e o melão cortadinho. Era só “mandar pra dentro”! Certeza que essa delicadeza ela herdou do meu avô, pai dela, que preparou o café da manhã da minha avó durante os 55 anos de casados, acordando os filhos e netos (quando dormiam na casa deles), ainda na cama, com um copo de vitamina ou de suco de laranja. 

Triste é saber que não herdei nada disso, apenas a vontade de ser mimada assim pra sempre.

segunda-feira, 17 de março de 2014

COMO NOSSOS PAIS


Final de semana com a mama. No pouco tempo em que conseguimos ficar sozinhas, falamos sobre a vida, os anseios, os medos, os apuros, os planos. E meus quereres - cada dia menos convencionais e por vezes conflituosos e impublicáveis - encontraram entendimento, delicadeza, colo e cafuné. Minha velhinha, aos 76 anos (exatamente o dobro da minha idade), em meio à contação de seus causos, me mostrou que somos mais parecidas do que eu jamais poderia suspeitar. E isso hoje é libertador! FIM. 


quarta-feira, 27 de julho de 2011

A MINI JAPA E A TIA DE PRIMEIRA VIAGEM


Lívia, minha pequena sobrinha de quatro anos e meio, viajou comigo para a Bahia agora no mês de julho. Foi a primeira vez que ela pegou um avião sem os pais e passou uma semana bem longe de casa. Praia, piscina, pipa, contação de histórias, pintura, desenho... E amor, muito amor! Teve até diário de viagem feito por nós duas como forma de registrar esse momento tão especial. E daí que resolvi compartilhar algumas das frases ditas pela pequena durante os nossos dias. Divirtam-se! 


Tia Van, já chegamos "em" Bahia? (do avião)

Ainda estamos no Brasil? (também do avião)

Queria que o mundo fosse de carne e de doces.

Tia Van, que peituça! (essa foi pra mim, ela queria dizer "peituda")

A mamãe e o papai são mais bonitos que a natureza. O papai é mais bonito que a primavera.

"Bigo" (é assim que ela chama umbigo)

Cadê minha pipinha? (se referia a pipa que empinamos no dia anterior)

Quer saber de uma coisa? (ela usava essa expressão a todo momento para contar qualquer coisa)

A gente veio pra Bahia para ver macaquinho. Se a gente não visse, não teria a menor graça.

Os baianos falam português ou inglês?

Esse avião vai pro Brasil? (no voo da volta, mesmo já tendo explicado algumas vezes que a Bahia fica no Brasil!)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

BONITEZA DE FAMÍLIA


"Aproveite o simples da vida"- Tijuca, Rio de Janeiro / abril, 2010
Foto: Vanessa Dantas


Nesse feriado teve o encontro da família Dantas. Não! Titio Dani não esteve presente e até por isso foi assunto.

Fui no sábado e voltei no domingo. Mais do que bom, afinal, 50 Dantas (e agregados) reunidos não é para qualquer um. Muito menos pra mim. Amo. Mas é preciso moderação.

Foi bacana. Comida, cerveja, conversa furada, cerveja, sinuca, cerveja, dominó (lembrando a avó Mariana que nos ensinou a jogar... e roubar!), baralho, cerveja e pebolim. Lugar bonito, frio ardido.

Teve fogueira, canjica, quentão, vinho quente, bolo de milho, paçoquinha, bandeirinhas e tudo o que é típico de festa junina. Confesso: só gosto de cuscuz. Fiz trancinha, pintei a cara, vesti xadrez e dancei forró. Mas fui dormir antes do furdunço da quadrilha que aconteceu perto das 2h da manhã. Perdi a prima linda, de noiva, com véu laranja e buquê fedorento.

A turma é animada, o som foi desligado as 5h da matina e rolou um pouco de quase tudo. Cantei Toy Dolls da minha cama.

Confirmei que meus primos são bem mais carinhosos que a média masculina por aí. Com as namoradas, mulheres, mães, entre eles e, muito especialmente, comigo. Lindo de ver! Digno de emoção! E assim passei o final de semana pendurada, no conforto de mil abraços.

Constatei também que exceto as primas que considero como irmãs, quase não tenho assunto com o restante. É recíproco. Não há interesse sequer pela cor do esmalte. E isso não é um problema.

Me surpreendi. Não reclamaram porque fui dormir cedo. Não perguntaram se desisti de ter filhos. Não me cobraram o churrasco que virou lenda. Não especularam se engordei. Não tocaram no assunto do doutorado. Não observaram que bebi menos. Não repetiram o quanto sou a cara do meu pai e também não arriscaram a dizer que tá na hora de deixar o aluguel. Nada disso foi dito. Nada, nadica de nada.

O único questionamento, entre os previstos, foi a falta de um companheiro. Um dos meus primos (liiindo!) ainda soltou que a fila de pretendentes devia contornar o Maracanã. Sorri e aproveitei para esclarecer:

Meus caros! Aos 35, poucos homens me apetecem. Quase não me impressiono mais pelo que vejo. Seleciono pelo que ouço. E elimino pelo que leio. Se sobrar algum, ainda tem que gostar de futebol!

sábado, 26 de dezembro de 2009

O ÓBVIO ULULANTE

Fotos tiradas em janeiro de 2009 pela tia Si.


Mais algumas da minha pequena sobrinha "japa girl"
agora com 3 anos.

*
Dei uma boneca, dia desses, para a Lívia e ela imediatamente a batizou de Gabi. Ontem, ela ganhou outra boneca (de outra pessoa) e começou a chamá-la de Gabriela. E então eu disse:
- Lívia, você colocou o mesmo nome da outra boneca?
- Não tia, uma se chama Gabi e a outra Gabriela.

*
Apontando para o anti-derrapante do solado do sapato dela, perguntei qual era o nome daquilo. Ela respondeu:
- É o sapato com degrauzinho.

*
Diante de um taco solto no chão da sala, ela disse:
- O chão está em cima!

*
Minha mãe (avó dela) abraçou meu irmão (pai dela) e disse que ele era dela. Aí eu cheguei, o abracei, e também disse que ele era meu. Aí ela veio, abraçou as pernas dele e gritou:
- Mamãe, tira o papai daqui!

*
A lição de casa consistia em desenhar o papai e a mamãe e pedir para escreverem a profissão de cada um. Ao final do desenho estava lá o papai engenheiro e a mamãe publicitária. Foi quando ela virou e disse:
- Tá errado. A mamãe é japonesa!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

PREJUÍZOS DA MODERNIDADE

Foto: Vanessa Dantas. Laranja descascada pelo Nilton.
*
Meu avô era um exímio descascador de laranjas. Ele vinha com um prato, uma faca e uma porção delas. A graça era não deixar a casca romper. Também não valia ferir a laranja. E então chupávamos as laranjas e brincávamos com os caracóis formados pelas cascas. Quando meu avô morreu eu ainda era criança. Cresci sem o hábito de comprar laranjas. Eu não sei descascar laranjas como o meu avô. Não consigo descascar sem romper as cascas, sem machucá-las. Descascar laranja parece que virou perda de tempo. Quando preciso de vitamina C, compro em cápsulas, na farmácia. Mas ainda prefiro "no formato" suco, de padaria. Em casa, a laranja entra espremida na caixinha. Os avôs (e avós) nunca deveriam morrer.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

PINGO DE GENTE

Foto: tirada pela japa-mãe. A pequena Lívia abraçando a boneca - presente meu! Reparem no cabelo da japa imitando o da boneca.


Toca o telefone, nesse final de tarde chuvento (chuva + cinzento). É a mama:
*
- Filha! É rapidinho, só liguei só pra contar da Lívia (minha pequena e amada sobrinha "japa girl" que acaba de completar 3 anos).
*
- Diga, mama!
*
- Falei pra Lívia que estou recuperada da cirurgia e que essa será minha última noite na casa dela, que amanhã volto pra casa. Ela respondeu: "nem pensar!". Depois ela queria comer doce e a Néia (empregada, babá, secretária, pau pra toda obra) ao falar que daria só um pouquinho (recomendação da japa mãe), ela mandou "já sei, é pra barriga não crescer igual a do papai!" Evidente que as duas (mama e Néia) caíram na risada e então ela continuou: "eu sou muito engraçada!".
*
O resto é previsível. Tô largando tudo e correndo pra lá.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ANTES QUE O MUNDO ACABE...

Enquanto tento assistir o que restou da Mostra Internacional de Cinema, enquanto procuro um vestido longo e lindo para ser madrinha do segundo casamento da prima carioca, enquanto meu chefe decide se vou ou não à Brasília, enquanto resolvo se cancelo ou não a acupuntura da sexta-feira, enquanto não saro de uma gripe que parece eterna, enquanto preparo o relatório monstro que deixa o outro chefe feliz, enquanto corrijo o TCC dos meus alunos, enquanto penso em retomar a insana ideia de um doutorado pós encontro com o grupo de estudo de Socioantropologia da Hospitalidade, enquanto minha pequena sobrinha completa 3 anos da mais pura boniteza, enquanto tento falar com uma amiga que aparentemente desistiu de mim, enquanto seco o time dos outros, enquanto derreto na cidade-concreto, enquanto adio a visita a amigos queridos, enquanto cogito Bocaina, Rio e até Bahia para o feriado do 20 de novembro, enquanto respondo "não sei" quando me perguntam o que pretendo fazer na passagem do ano, enquanto a cerveja gela, enquanto não ganho na mega-sena sem jogar, enquanto espero ele propor me encontrar, enquanto resolvo de uma vez por todas arrumar a bagunça do quarto, e do meu coração... Eu recomendo: leiam dois fantásticos textos que falam de futebol, de gente, de paixão e, claro, Copa do Mundo!
*
Ambos disponíveis no: http://www.copa2014.turismo.gov.br/. Realmente imperdíveis!


TEXTO 1: Meu personagem da semana: Nelson Rodrigues. Por Eduardo Goldenberg.
*

TEXTO 2: Deus não joga dados. Por Edin Sued Abumanssur.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

TAURINOS QUASE GÊMEOS

Ele sabia que às quartas ela chegava tarde, já era quase meia-noite, mesmo assim resolveu ligar. Não podia voltar para Londres sem dar um beijo de despedida nela. Foi até a sua casa com o propósito de não demorar, mas a conversa, como sempre, se estendeu. Reparou nas mudanças do apartamento, na nova disposição dos móveis, na amplitude da sala. Enquanto ela se libertava dos sapatos e preparava algo para comer, ele bisbilhotava a estante de livros. Começaram com a lembrança da última vez que esteve no Brasil - ele lavava a louça depois de um almoço na casa dela, quando o moço que a cobiçava na época, e que ela tinha dado um cano, apareceu. E, atendendo a um pedido "de pé de ouvido" dela, naquele dia, ficou apenas mais 10 minutos e partiu. Pararam por aí. Não precisava saber dos detalhes da cobiça com sucesso e de todas as presepadas vividas depois. E então passearam pelas amenidades, preferindo os atalhos da conversa leve, ao som de uma cantora brasileira que ele ainda não conhecia. Conversaram sobre Londres, sobre o trabalho dele lá, e o dela aqui. Falaram da situação do Palmeiras - time do coração dos dois. Ampliaram para o Brasileirão, mas evitaram ser monotemáticos. E assim prosseguiram como se fosse possível falar tudo o que ocorrera na ausência dos últimos anos. Não tinham ambição de conseguir, mas era natural a vontade de querer aproveitar o pouco do tempo que sobrara antes dele partir. Sabiam antemão que não alimentariam troca de e-mails, aquilo não fazia bem pra ele e ela respeitava. Ele que tem a bicicleta como meio de transporte, trabalho, lazer e até competição, lamentou quando ela assumiu que mantinha a preguiça em cativeiro. Ele reclamou do nível das conversas do lado de lá, da profundidade, do repertório preguiçoso e da pouca erudição dos colegas estrangeiros. Elogiou os amigos brasileiros e a troca interessante propiciada a cada encontro. Falou que sentia falta disso por lá. Um ou outro romance vivido foi citado, apenas de forma superficial. Na corujice máxima, ela aproveitou para mostrar um pequeno vídeo da sobrinha de quase três anos cantando Roberto Carlos. Ele vai ser tio, e esta foi a forma que ela encontrou de dizer que ele não poderia continuar longe, que era preciso ver o bebê nascer e crescer. Ele ouviu e considerou, repousando a cabeça na almofada. Os corpos começaram a dar sinais que a madrugada adentrava, na medida em que ela afundava no sofá - verdadeiro cúmplice de gargalhadas, amassos, bebedeiras, lágrimas, preguiça, cansaço e dor. O fato é que as horas corriam rapidamente, ali e por todos os dias. E nessa, ele aproveitou para confessar que, às vezes, se sentia velho. E então ela lembrou de uma das primeiras e mais importantes descobertas logo que se conheceram: ambos nasceram no mesmo dia, do mesmo ano, e quase no mesmo horário. Ela era mais velha que ele, apenas 15 minutos. E na época, da descoberta, ele chegou a sugerir que rachassem um mapa astral.

sábado, 5 de setembro de 2009

DÁ PARA QUERER OUTRA VIDA?


Meu avô materno preparou o café da manhã para a minha avó durante os 55 anos de vida de casados. Ele acordava, fazia um café forte (dos melhores do planeta!), ia à padaria comprar leite e pães frescos, e ainda levava suco de laranja para ela na cama.


Quando eu dormia na casa dos meus avós, ele passava de cama em cama (de quantos netos e filhos estivessem ali) levando um copo de vitamina ou suco, logo de manhã cedo. Depois era só voltar a dormir novamente, sonhando com o belo café da manhã ao levantar.


E depois as pessoas estranham porque não casei.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

CURTINHA DA PEQUENA

Cantarolando para a minha sobrinha*:

O sapo não lava o pé,
não lava porque não quer,
ele mora na casa da Lívia...

Ela interrompe:
- Ele não mora na casa de eu!

* Lívia, dominando a língua portuguesa, aos 2 anos e meio de idade.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

CORUJICE SEM FIM

Duas da minha sobrinha Lívia* dessa semana:
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Ela, apontando para a TV, no momento em que apareciam imagens da Disney:
- A Díneis tia Van! A Díneis!
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Depois, em meio a contação de uma longa história elaborada por ela sobre a barata, a chuva e seus pais:
- Daí tia Van, a barata era fedida!
- Como você sabe que a barata era fedida? Você cheirou a barata? Eu nunca cheirei barata!
- Era fedida e pronto, tia Van.
Mais algum blá, blá, blá, e para finalizar a história...
- E aí, eu, a mamãe e o papai também "foram" felizes para sempre.
- A barata também foi feliz para sempre?
- Aaaah tia Van...
*
*
* Lívia está agora com dois anos e "quase" cinco meses. Faz balé, judô, inglês, adora fazer bico anunciando ANTES que está brava, e sonhou ontem com o coelhinho da Páscoa. Comeu brigadeiro escondido dia desses, e apesar da insistência da mãe, não contou pra ela quem deu. Disse que é segredo, que não pode contar! Eu JURO que não fui eu! Sou tia-coruja, melosa, que adora provocá-la, mas cumpro as regras, e a regra é clara: nem doces, nem chocolates! Ai, ai, ai... Ainda bem que estarei beeeem longe na Páscoa!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

TIA BABONA!

Quem me conhece sabe, sou uma tia babona! Portanto, falar da minha pequena sobrinha Lívia é sempre muito prazeroso.

Neste último domingo fugi da cozinha por um instante, em meio ao preparo do almoço de aniversário da mama, e fui procurar a Lívia. Estavam os três deitados na rede da varanda de casa: a pequena, o pai dela (meu irmão) e a mãe (minha cunhada). Perguntei a ela se eu podia deitar junto na rede. Ela olhou, pensou, pensou... e respondeu:

- Não dá! Vai ficar apertado!


Eu não imaginava que a pequena (pouco mais de dois anos) já possuía tamanha noção de espaço e conhecia a palavra "apertado"! Pirei e babei, como sempre! Depois minha cunhada disse que ela ficou guardando um lugarzinho “imaginário” para a tia Van na rede...
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Num episódio anterior, comecei a cantar a música Teresinha de Jesus propositalmente de forma errada. A cada erro cometido, ela soltava uma deliciosa gargalhada e falava:

- Tia Van, canta errado, canta!

E assim permanecemos uma parte da tarde cantando tudo errado. Depois, eu soube que ela me entregou para os pais:

- Papai, mamãe, a tia Van canta tudo errado. E é feio!

Agora me digam, de onde ela tirou que cantar errado é feio?

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Noutro episódio, ela estava no colo do pai, e eu que adoro provocá-la, falei:

- Você sabia que ele (me referindo ao pai dela, meu irmão) é meu antes de ser seu?


Ela ficou me olhando calada, e eu continuei:

- Eu nasci primeiro, é por isso! Então ele é seu, mas é meu também!

Ela imediatamente fechou os olhos e respondeu:

- Eu tô dormindo!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

VOU, MAS JÁ VOLTO!

Ficar em Sampa neste pós Natal e começo de ano foi novo e, ao mesmo tempo, bem mais agradável do que eu poderia imaginar. A cidade-concreto estava calma e com o clima ameno - dias bonitos, e garoa vez ou outra para refrescar.

Como já mencionei em outro texto, a virada foi em casa, com poucos amigos, boa comida e bebida, e papo da melhor qualidade. O futebol, o Oriente Médio (assunto duro esse!), o teatro, o cinema, a literatura, o governo, a culinária e a contação de causos fizeram das nossas tantas horas juntos (das 21h e pouco até as 5h30 da manhã) momentos pra lá de especiais. E se somados a Etta James, Coltrane, Miles Davis, Rodrigo Rodrigues, Cibelle, Chico Buarque, Paulinho da Viola, entre outros que também passaram a virada conosco, posso dizer, sem medo de errar, que foi uma grande noite!

Não pulei ondas, mas comi lentilha com os pés para cima, carne de porco porque fuça pra frente, guardei as sementes da romã, vesti branco e, dessa vez, passei de calcinha verde (a cor da cura!). Fui presenteada com a primeira aurora de 2009, e surpreendida por pessoas que ligaram simplesmente para desejar um FELIZ 2009!

Nem bem começou o ano e já revi amigos, almocei com a família, li coisas, escrevi outras, bebi o elixir (chopp) do Templo Sagrado (Bar Léo), assisti três filmes no cinema e outro no sofá, conheci um pouco mais do Bertolucci, me emocionei, pensei no meu pai, caminhei pela Avenida Paulista, visitei e fui visitada, preparei um jantar às três da manhã em ótima companhia, e cantarolei uma porção de músicas com a minha pequena sobrinha que desembestou a falar.

Também comi arroz e feijão no meu boteco preferido, bolei um presente diferente para alguém especial, emprestei dois livros, bebi os espumantes que restaram da virada, fiquei alegrinha, e recebi um torpedo-convite para um café da manhã na minha casa, com direito a pão francês fresquinho, manteiga Aviação e café forte para acompanhar. Já rolou almoço estendido daqueles que a gente não sente a hora passar, cozinharam pra mim – almoço e jantar, amigos dormiram em casa, e faltou pouco para eu ver mais um dia clarear.

Numa cena atípica, caminhei por ruas vazias, e me deparei com um cenário inusitado - o centro da megalópole, da babilônia, da cidade cinzenta, da terra da garoa, ou como queira chamar, em silêncio, apenas sentindo a chuva fina molhar.

O ano começou bem. Estou de partida para a Bahia que está me esperando com toda a energia para um banho de mar. Rever amigos, curtir as férias, relaxar e prosear. Alguns livros, CDs e DVDs já estão na mala, assim como o inseparável caderninho, para nas horas vagas a cabeça funcionar.

Deixo o meu abraço pra quem fica, e só uma coisa a confessar. Meu anjo da guarda, após um longo período de férias, finalmente decidiu voltar a trabalhar. Chegou mansinho e falou pra mim:

- Vem cá Vanessa, chega pertinho, vou fazer um cafuné pra lhe confortar. E prometo que nesse ano, não vou desgrudar!

Vou, e já volto. Porque melhor do que viajar, é poder voltar, pra casa, pro lar!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

UFA! ACABOU O 2008! ADEUS!

Em 2008 tornei-me de choro fácil, não tão fácil como meu tio que, segundo minha tia, chora até em inauguração de supermercado, mas hoje me permito derramar lágrimas até com leituras, filmes e músicas.

Meu pluviômetro registrou alta também com um rompimento, coisas do coração. Não tanto pelo fim em si, afinal “não há mal que dure para sempre e nem felicidade que nunca se acabe”, mas pela sensação, não sei se equivocada, de não restar nada.

Mas o 2008 também teve seus sabores. Aprendi a gostar de sopa, encarei abóbora (com moderação) e meu paladar despertou para o caju. Também comi escargot pela primeira vez, e adorei (que perigo!). Cozinhei bastante, e arrisquei novas receitas, por pura intuição. Todas provadas e aprovadas! Recebi mais amigos em casa e os visitei sem muita combinação. É fato, em 2008 não fiz dieta alguma. Tomei mais vinho que cerveja, e mais cerveja que cachaça.

Meu blog nasceu, assim como o Guilherme, o Eduardo, a Giulia, o Théo, o Rafael, a Joana, o Miguel e o Diogo. Usei franja durante meses e não fazia idéia que o sexo oposto gostasse tanto. Ainda assim, preferi voltar ao visual anterior, mais despojado e natural.

Em 2008, passei a me incomodar com gente que não para de falar. E também por isso, comecei a exercitar a minha quietude. Acreditem! Já obtive algum êxito.

Trabalhei menos, e ganhei menos, mas tive uma vida mais calma. Passei a questionar o consumo exacerbado e a valorizar todo o tempo livre e a qualidade de vida. Terminei meu mestrado. Pesquisei a Vila Madalena e enveredei a estudar bairros, gente, boemia, memória, sociabilidade e pertencimento. Foi uma experiência e tanto! Quase emendei o doutorado, mas resolvi adiar um pouquinho. Encarei a possibilidade de morar no Rio, e prestei um concurso por lá, não sei se por ter apenas uma vaga, e não ter estudado o suficiente sorte ou azar, não passei.

Li mais, escrevi mais, assisti mais filmes. Dormi e acordei mais tarde. Fiquei mais em casa e passei, mais do que nunca, a apreciar o silêncio. Curti a minha companhia. Troquei o número do meu telefone de casa e decidi não passá-lo a quase ninguém. Também passei a ignorar as ligações não identificadas no celular, e descobri que minha sobrinha é o melhor remédio para os dias tristes.

Em 2008, estreitei laços com amigos bem mais velhos que eu, e percebi que a cada encontro uma enormidade de coisas despencava sobre a minha cabeça: livros pra ler, filmes pra ver, lugares pra conhecer. Passei a anotar tudo! Haja caderninho!

Reencontrei um grande amor do passado e vivemos um momento pra lá de especial. Consegui declarar todos os sentimentos de outrora ao único homem que me emudeceu.
Foi um alívio confirmar que é bonito porque é passado e que, portanto, deve permanecer como está, fazendo parte apenas das melhores das nossas lembranças. Era uma pendência, e agora está resolvida. Com toda a certeza, foi um grande encontro, na hora certa, para ambos. Valeu muito!

Em 2008 fechei-me pra balanço. Me recolhi. Não suporto a idéia de tapar buraco, curar um amor com outro. Reconheci que era preciso viver o luto, sarar, ficar bem comigo, e só então permitir a aproximação de outro. Assim, dispensei companhia e beijo na boca. Brinquei pouco e não me apaixonei.

Descobri que MSN é ótimo para conversar com os amigos que moram longe, trabalhar, marcar algo com alguém ou simplesmente dar um “oi”, desde que essa não seja a única ferramenta de uma relação. Se for, vale à pena repensá-la! Por MSN me desentendi com uma pessoa querida mas, por outro lado, também rolaram "otras cositas mas", novos encontros, bem legais.

Ganhei dinheiro, pela primeira vez, como “tiradora de fotos” e senti o maior legado deixado pelo meu pai - a fotografia - correndo em minhas veias. Foi prazeroso e gratificante. Fiquei querendo mais!

2008 não foi um ano fácil. E pra ser sincera, não sei se gosto dos anos pares. Mas ok, pelo menos o Palmeiras foi campeão paulista!

E dessa vez, diferente dos outros reveillons, optei por algo mais tranqüilo, em minha casa, com poucos amigos - os já mencionados bem mais velhos que eu. Escolhi a boa comida, boa bebida, companhia à mesa e conversa da mais alta qualidade.

Que venha o 2009! E então viajarei um pouco, pularei ondas, me energizarei. A Bahia estará lá, com sol e mar, me esperando, sem o tumulto da virada do ano.

Para o novo ano, acima de tudo, quero paz! Quero leveza, quero prazer, e furor pela vida. Quero reciprocidade! Já começo a sentir o meu coração mais aberto, reagindo, mais disponível para o amor e, que seja ele qual for, que venha para ficar!

Que o 2009 seja um ano disparatadamente delicioso. Para mim e para vocês!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

SANTA DE ARAQUE - PRESENTAÇO DE NATAL III

Dando sequência aos deliciosos presentes de Natal, aqui está um texto de autoria da minha amada prima-irmã (meu pai é irmão da mãe dela, e minha mãe irmã do pai dela) Aline Dantas Pinheiro.

Oh bonita, espero que esse texto seja o primeiro de muitos! Obrigada! Xêro (com "x" mesmo!).


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SANTA DE ARAQUE

Achou que subir a escadaria do Bonfim era demais, pois sobreviver àquela agonia já era um puta sacrifício... ele é quem tinha que subir aquilo umas mil vezes, pensava ela.

Acendeu umas velas pra São Jorge... até o dia em que descobriu que o cara não era um santo tão confiável assim. E agora? Stº Antônio! Casamento? Nãããão! Melhor seria fazer pacto com o demo. Stª Rita? Também não. Não podia acreditar que era uma causa tão impossível assim, e resolveu deixar a santa quieta.

O jeito era apelar pros santos alheios. Tomou passe no centro e dançou no terreiro pra Iansã, desafiou as teorias de Sidarta, e se queimou nas fogueiras da Wicca. Se perdeu um dia na Sinagoga, e foi parar na numeróloga. Pensou em Jah, se rendeu aos rituais primitivos do Xamanismo, e amaldiçoou as cartas do tarô. Quis ir até Meca. Quase tomou o Daime. Pensou até em falar com o Obama. Conversou com a Lua, fez as mandingas do povo e tomou banho de sal grosso.

As fitinhas e os trevos pesavam mais que as moedas dentro da carteira, enquanto a alma se esfarelava em aflição e descrença. Um dia o telefone tocou, e em poucos minutos ela estava lá, no Umbanda. Novos santos, novas energias. Os sons dos tambores lhe arrepiaram até a espinha, e a mãe de santo a recebeu de braços abertos. Decidiu ir falar com o preto véi:

“Ô mizifi! É o seguinte... (num blá blá blá sem fim pediu o help pro caboclo). Ele a olhou com os olhos meio esbugalhados e disse: “Fia, num é certo dizê isso aqui pra vós sunsê, mas isso aí só o grandão lá de cima, viu!”. Só deu tempo de pensar: “PQP!”. E a conversa foi encerrada com uma espécie de passe. Umas assopradas daquele fumo estranho, umas palavras que mais pareciam uma mistura de tupi com russo, e um olhar magnificamente distante.

Foi embora. No carro, à caminho de casa, ainda se sentindo um pedaço de carne defumada, pensou: “É nêga. Nem o preto véi deu conta de desfazer esse nó”. E então jogou as fitinhas fora, apagou as velas, fechou as bíblias, e percebeu que a maior fé só poderia ser nela mesma, e contado com o grandão lá de cima e seu arsenal de novas rezas, se auto-declarou sua própria santa de araque.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

RESPOSTA PRA TUDO

Minha sobrinha Lívia estava brincando de desenhar com giz de cera quando a mãe dela chegou. Ao verificar que um deles estava quebrado, perguntou à pequena:

- Lívia, quebrou o giz de cera?

- Quebô mamãe, quebô!

- Quem quebrou?


E a pequena sabiamente respondeu:

- O chão!

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Parabéns para a Lívia que fez 2 anos ontem e não parou um segundo de correr em círculos e cantar “corre cotia” do jeito dela.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

PRENÚNCIO DA SEGUNDA-FEIRA

O texto é inteiro de minha autoria. Apenas as frases
destacadas em verde referem-se ao livro abaixo citado*.

Para minha querida prima-irmã Aline Dantas
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Aqueles olhos azuis a petrificaram. Não entendia como poderia surgir tanta beleza em meio aquele lixo todo. O dragão rabiscado naquela costa morena somado ao cheiro da pele a deixara desnorteada. As montanhas de entulhos e sucatas espalhadas por todos os cantos compunham o cenário tomado por aquele rosto másculo e de traços perfeitos.

Já não sabia mais o que a levara até aquele lugar tão longe de casa. Tampouco se lembrava da última vez que demorou tanto tempo para encontrar um endereço. Mas a sensação de que estava perdida se esvaiu no instante em que aquela voz grave lhe perguntara o que a moça queria. E a cada passo daquele peito nu em sua direção, ela se dava conta de que naquele exato momento não poderia querer outra coisa que não fosse ele. E embora ela soubesse que havia um porquê de estar ali, não se recordava qual era. O fato é que dali em diante, ela não se recordaria mais dos porquês.

E assim respondeu devagar, com dificuldade, porque já não acreditava que a verdade servisse para alguma coisa.

O fato é que ele não tinha o que ela queria. E então, diante da impossibilidade de atendê-la, só restou indicar a ela outro lugar, próximo dali, onde poderia encontrar o que procurava. E ela, sem saber se propositalmente, permaneceu com o olhar de desentendida até que ele gentilmente se ofereceu a levá-la ao local sugerido.

Ela aceitou prontamente e eles seguiram. Conversaram pouco durante o rápido trajeto, alimentando-se todo o tempo pelo olhar. Mil vezes buscou os olhos dele, e mil vezes ela encontrou os seus.

Assim que chegaram, ele apresentou o local a ela, e disse que precisava retornar. Ela então o agradeceu, mas não sem antes elogiar aquele inolvidável par de olhos azul turquesa. Ele sorriu lindamente, elogiou a beleza dela e num gesto que não trazia o mínimo embaraço, apenas uma exatidão desconcertante, ele a pegou pela cintura e a beijou com sofreguidão.

Afastou-se do corpo dela no instante seguinte, não disse “adeus”, e seguiu sem olhar para trás.

Ela ainda com as pernas bambas, carregada de certeza de não querer entender o que ocorrera, ouviu ao fundo uma risada levemente contida seguida de uma voz feminina dizendo:

- Cuidado! Ele é casado!

E então ela suspirou aliviada. Aquilo tudo só poderia mesmo ser o prenúncio de uma ótima semana.

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* Alessandro Baricco, Seda (2007)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

COISAS DE CRIANÇA




- Conta itóinha, conta?



Lívia, minha sobrinha com 1 ano e 9 meses pedindo para eu repetir pela quarta vez a história do Lobo*.



* É como ela chama a famosa história da Chapeuzinho Vermelho.

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Minha afilhada Ana Clara (na época com quatro anos de idade) foi à padaria com a avó. A moça do balcão dos pães querendo puxar conversa com a criança, lançou:

- Nossa! Que olhos lindos! De quem são esses olhos?

A pequena arregalou mais ainda e respondeu:

- Ora, são meus!!!

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A palavra castigo caiu em desuso. A regra agora é mandar pensar.

Fez algo errado? Vai pro quarto pensar!

Então me pego pensando no que minha sobrinha de um ano e nove meses pensa quando seus pais a colocam para pensar.

Seria nos Backyardigans invadindo o Castelo de Greyskow para salvar a Pucca?

Bem, não faço idéia, mas sei que dá resultado. A japinha tá tão educada que tem ido pensar até por conta própria.

Será que teremos uma filósofa na família?

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Quer provocar minha sobrinha? Basta chegar perto dos pais dela para um chamego. Ela fica uma fera! Morre de ciúmes!

Numa dessas (ela tinha um ano e meio), eu estava abraçada com meu irmão quando a pequena me olhou muito seriamente e disse:

- Sai daí!!!

O super pai prontamente a corrigiu, dizendo que ela não poderia falar assim com a tia. Então, convencida pela boa educação, ela me olhou novamente e disse:

- Dá licença?!

FOTO: Vanessa Dantas