sábado, 16 de novembro de 2013

NEM MAIS UMA DOSE



Eles combinaram. É, na verdade, ele combinou com ela. A ideia era matar uma garrafa inteirinha de uísque, juntos, numa noite no sofá da casa dele. Ou dela. Para ele, isso era importante. Não podia ser cerveja, cachaça, drinks outros. Tinha que ser uísque.

Ela topou.

Não rolou. Não deu tempo.

Passado um tempo, ela concluiu que foi melhor pro fígado dela. E pro coração.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

QUANDO FEVEREIRO CHEGAR...


Outubro chegou. Em dois meses deixarei a sala de aula, sem data para retornar. Pela primeira vez, em 14 anos de docência, não terei vínculo com nenhuma instituição de ensino. Dá um frio na barriga, entre outras coisas, porque eu não sei se sei dizer que sou outra coisa, que não professora.  

Por outro lado, meu trabalho com pesquisa e conteúdo anda cada dia mais intenso. Um privilégio ganhar dinheiro para estudar e escrever. O mesmo acontece com a comunicação online, que entrou na minha vida, encontrou casa, comida e decidiu ficar. Novos rumos, ótimas perspectivas. 

Que eu continue trabalhando com gente querida, que venham novas parcerias, propostas inteligentes, prazerosas e bem remuneradas. E, acima de tudo, que gerem conhecimento. Porque se tem uma coisa que não dá para abrir mão, é de aprender. Cada dia um tiquinho mais. Mais e mais. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

CORRA, VANESSA, CORRA!


 
No final do último 8 de março, Dia da Mulher, reparei que não recebi nenhum "parabéns" do gênero masculino. Foi quando veio a lembrança de uma rosa com um cartão que recebi, há cerca de 13-15 anos, via portador, de um advogado (na época, eu era funcionária do Tribunal de Justiça), que eu admirava. Charmoso, elegante, discreto, educado. Concluí: Que pena! Nunca mais vou encontrá-lo na vida! 
 
Hoje, saí da instituição que leciono uma hora mais tarde que o habitual. Esbaforida, entrei no vagão do metrô e me direcionei a uma ponta "nunca dantes" explorada... Lá estava ele, na minha frente. Não pensei, não hesitei, o toquei. O chamei por seu nome completo (enorme, de príncipe), quando ele me olhou com cara de interrogação, seguida de surpresa e contentamento. Amarramos uma boa conversa. Falamos da vida, do Direito, do Turismo, do trabalho, das viagens... Tentei driblar o encantamento, não consegui disfarçar o sorriso. Ele se disse impressionado com a minha memória. Trocamos cartões.
 
Nunca o metrô de São Paulo foi tão rápido e aprazível. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O MELHOR PRÉ CARNAVAL DE SÃO PAULO



10 aprendizados do domingão, 3/2/2013: 

1. O bloco do Ó (do Borogodó) é o melhor do pré Carnaval da cidade-concreto.

2. Preferia um esquema "concentra mas não sai". Sim, estou ficando velha! 

3. Ano que vem a concentração começa em casa. Ok, esse ano também começou, de forma tímida.

4. Farei um mapa da Vila para os amigos "que preferirem ir direto" se (me?) acharem mais facilmente na próxima edição, já que "esquecerei" o celular em casa. 

5. Ouvir um "professora" no meio do bloco pode ser divertido, desde que o indivíduo tenha sido seu aluno há 10 anos. 

6. Cerveja gelada --> cerveja média --> corra pro Empanadas! 

7. Existem, no máximo, 10 músicas-axés respeitáveis. E o Bloco do Ó, em meio às marchinhas, tocou umas cinco. Foi perfeito. 

8. "Não, não me abandone. Não me desespere. Porque eu não posso ficar sem você. Eu não posso ficar, ficar sem você. Eu não posso ficar, ficar sem te ver". É, deu saudade!

9. "Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é Carnaval!" --> para esquecer a saudade supra citada. 

10. O bloco do Ó tinha que sair no sábado. Domingo é puxado!

E mais um pra fechar: perfeito que o desfile do Ó e do Confraria do Pasmado aconteçam no mesmo dia, assim "a massa" vai pro Confraria e deixa o Bloco do Ó se manter menorzinho, mais intimista e gostoso. Adoro. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

99 TÁXIS

Incrível é o teu ex te ligar e pedir pra você ir à casa dele fazer um jantar porque ele está "dodói". 

Incrível é você aceitar e ir feliz da vida cozinhar, brincar com as cachorras, prosear, tomar duas garrafas de vinho, fazer cafuné e concordar que ali não existe mais namoro, mas existe amor. E que o inverso (e muito mais comum) poderia ser bem pior. 

Incrível é a eficiência do aplicativo para chamar o táxi "mais perto de você" (99 táxis) e garantir a noite perfeita, cada um na sua casa e cama, e concordar que o tal aplicativo foi a melhor descoberta da noite. 

ATENÇÃO: post pago pelo aplicativo 99 táxis. Qualquer semelhança com a vida real terá sido mera coincidência.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PRESENTE

Assim que eu postei o texto ENTREGUE(S), o Niro Nash apareceu com esta lindeza de imagem. Impossível não compartilhar! :) 


ENTREGUE(S)



Se não fosse a fala mansa, o beijo quente e o par de olhos azuis no decote dela, certeza que ela o teria evitado.

Teria nada. Desde a primeira vez que ela o ouviu, sentiu vontade de prová-lo. Tanto tempo depois, aquela altura, já o imaginava no sofá, na parede, na cama, no chuveiro, na vida dela. Por pouco tempo, é verdade, porque as relações são perecíveis e a deles já começava assim, datada. Acontece que, de tão molhada, o prazo de validade ficou ilegível e ela se perdeu, sem saber a hora de acabar. Lamentava a falta de um manual com dicas sobre a hora de romper. Romper no momento certo, uma arte, que poucas vezes dominara. E seguia assim, entregue.

O primeiro encontro foi de expectativa, curiosidade, excitação. Saíram pra jantar e, na volta, com a desculpa de um drink saideira, ela bebeu ele. E se embriagou. Acordou de ressaca, mas daquela que só passa com mais uma dose. Repetiram, de imediato, com sede de anteontem. E seguiam assim, entregues.

Não faziam planos, maiores combinações, não existia hora certa. Ele podia acordá-la, tal qual uma gata de armazém, em uma manhã de terça-feira, ou aparecer de bermuda e chinelo, em uma sexta, pra ver o pôr do sol da cama dela.

Ela se sentia mais linda ao lado dele. E ele mais jovem ao lado dela. A cruz nas costas, os cochilos suados, a cumplicidade criada, o ciúme discreto, a saudade apertada. Imprevisível, "gostosudo", arrebatador. Romance com gosto. De bomba de chocolate.


(dos escritos perdidos, de um dos meus caderninhos)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O BAR LÉO MORREU. E FAZ TEMPO.

Tanto a Renata Domingos quanto o Jota Bê já tinham me alertado, mas cabeça-dura que sou, tive que constatar pessoalmente, afinal, mais que um bar, pra mim o Léo era um templo sagrado. 

Estive no Léo, pela última vez, em dezembro de 2011. Foi quando descobri que os garçons Zé e Gaúcho (que sempre me trataram como Rainha) não trabalhavam mais lá. Em conversa com o sobrinho do Gaúcho, soube ainda do modo grotesco que aconteceu a demissão do seu tio. Naquele dia, o atendimento foi péssimo, o chopp mediano e o sanduíche de salame com provolone não chegou porque o pão tinha acabado.

Não esperei a água sanitária molhar os meus pés, como era praxe, já que só saía do Léo com as portas fechadas, cadeiras suspensas e água lavando o chão. Fugimos rapidamente, eu e a querida amiga Ana Paula (Puia), testemunha do meu constrangimento, tristeza e indignação. O sentimento de pertença com a Rua Aurora nº 100 fora mutilado. Prometi não voltar mais. E assim o fiz.

Pois bem. No fim das contas, só sobrou mesmo a saudade dos ótimos momentos "bebidos" por lá. Mentira. Sobrou ainda parte de uma garrafa de Steinhaeger que ganhei de presente, comprada no estabelecimento, e que aguarda na geladeira de casa quem quiser chegar junto... Pra beber o defunto, claro!   :-( 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

PRAIA CANSA

Metade Bahia, metade Ceará. Férias, julho 2011.


"Tchau, Fortaleza bonita! Tchau, jegue! Tchau, dunas! Tchau, areias coloridas!"

Foi assim que algumas crianças se despediram das férias no momento do avião decolar. Rindo, certifiquei que há mais crianças nos voos durante o recesso escolar que nos buffets infantis.

Não é fácil retomar a vida depois de 15 dias no Nordeste. O bronzeado some em horas, as olheiras reaparecem e trocar as havaianas pelos sapatos é tarefa árdua. Bate aquela depressão! É como se o corpo chegasse primeiro. Letargia. Depressão pós férias.

Dessa vez comecei na Bahia e terminei no Ceará. Brinquei bastante de ser rica e agora volto para o tronco.

Tchau, lagostas! Tchau, Moet & Chandon! Tchau, sol com brisa! Tchau, piscina de frente pro mar!

Não assisti TV. Li e dormi menos do que eu gostaria, mas comi e bebi mais do que eu deveria. Ao menos consegui evitar o e-mail do trabalho.

Praia cansa. É sério! Um dia de areia, mar e sol e vou pra cama cedo. Prefiro isso às noitadas. Porque férias na praia, pra mim, é de dia. E poucas coisas me fazem mais feliz que o entardecer na praia. É quando o meu lado atéia olha para o céu alaranjado e diz: Obrigada, Senhor! --> gesto que copio do meu querido amigo Dodô!

Dormir com o barulho do mar é mesmo um privilégio. E acordar com a certeza de um lindo dia de sol é outro maior ainda.

Agrada-me também a possibilidade de "não fazer nada". Pois bem, conseguir algumas horinhas pra fazer nadica de nada, pra mim, é muita coisa!

Na Bahia, na primeira semana, eu e a minha pequena sobrinha empinamos pipa, pulamos onda, brincamos de castelo na areia, vimos tartarugas e macaquinhos, desenhamos, fizemos diário de viagem e lemos histórias na hora de dormir. No Ceará, na segunda semana, matei a saudade das primas, ouvimos 500 mil vezes o cd novo do Chico, conversamos, brindamos e comemos horrores… Encontrei velhos amigos, fiz novos, comprei pequenos mimos e aproveitei um tempo sozinha para caminhar na praia e fotografar.

Agora, sem dúvida, o maior indicador de que estava tudo muito bom foi não ter sentido saudade de casa. Talvez não tenha dado tempo, é verdade. Mas o fato é que eu voltei porque tinha que voltar. Trabalhar, pagar as contas, tocar a vida. Pois é, ser adulto cansa! E cansa muito mais que praia!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A MINI JAPA E A TIA DE PRIMEIRA VIAGEM


Lívia, minha pequena sobrinha de quatro anos e meio, viajou comigo para a Bahia agora no mês de julho. Foi a primeira vez que ela pegou um avião sem os pais e passou uma semana bem longe de casa. Praia, piscina, pipa, contação de histórias, pintura, desenho... E amor, muito amor! Teve até diário de viagem feito por nós duas como forma de registrar esse momento tão especial. E daí que resolvi compartilhar algumas das frases ditas pela pequena durante os nossos dias. Divirtam-se! 


Tia Van, já chegamos "em" Bahia? (do avião)

Ainda estamos no Brasil? (também do avião)

Queria que o mundo fosse de carne e de doces.

Tia Van, que peituça! (essa foi pra mim, ela queria dizer "peituda")

A mamãe e o papai são mais bonitos que a natureza. O papai é mais bonito que a primavera.

"Bigo" (é assim que ela chama umbigo)

Cadê minha pipinha? (se referia a pipa que empinamos no dia anterior)

Quer saber de uma coisa? (ela usava essa expressão a todo momento para contar qualquer coisa)

A gente veio pra Bahia para ver macaquinho. Se a gente não visse, não teria a menor graça.

Os baianos falam português ou inglês?

Esse avião vai pro Brasil? (no voo da volta, mesmo já tendo explicado algumas vezes que a Bahia fica no Brasil!)